“As políticas de avaliação precisam ir além das políticas de larga escala, incorporando outras dimensões e processos avaliativos”

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No último dia 27 de março, as assessoras Jaqueline Santos e Cláudia Bandeira fizeram apresentação sobre os Indicadores da Qualidade na Educação no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc

“É importante que a avaliação incorpore outras dimensões e processos como a participação da comunidade escolar e a análise não só do desempenho do aluno, mas também dos desafios referentes às desigualdades educacionais, aos insumos (condições estruturais e de funcionamento das instituições educativas) e às práticas pedagógicas”, destacou Cláudia Bandeira, coordenadora do projeto Indicadores da Qualidade da Educação – Ensino Fundamental. Em fala conjunta com a doutoranda em antropologia e assessora do Programa Diversidade. Raça e Participação, da Ação Educativa, Jaqueline Santos, Claudia apresentou os Indicadores da Qualidade da Educação no Centro de Pesquisa e Formação do Serviço Social do Comércio (Sesc) São Paulo, no último dia 27 de março.

Neste sentido, a coordenadora alertou para o fato de que as avaliações externas – como, por exemplo, a que resulta no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) – estimulam a redução do currículo escolar, a cultura do educar para o teste, o fortalecimento de práticas tradicionais de avaliação, a competição entre os alunos com a apropriação de lógica de ganhadores e perdedores e a naturalização de desigualdades.

 

Conceito em disputa

Com a constatação de que a qualidade da educação diminuiu muito a partir do momento em que se universalizou o acesso e que populações até então excluídas do ambiente escolar passaram a acessar a escola pública, as disputas do conceito de qualidade educacional foram acirradas. “Compreendendo a desigualdade racial como estruturante do desafio da democracia brasileira, temos que considerar o combate ao racismo e o acesso a uma boa educação para todos e todas como fundamental para a garantia da qualidade”, apontou Jaqueline.

De acordo com a doutoranda, a partir da perspectiva da educação e relações raciais, por exemplo, é necessária a articulação entre o fortalecimento da gestão democrática e o estímulo a uma educação antirracista, a valorização da cultura afro-brasileira e a adoção de um currículo permanente e comprometido com a diversidade. Nesse sentido, ela apontou para a possibilidade de utilização da proposta dos Indicadores da Qualidade na Educação – Relações Raciais na Escola, articulada à coleção Educação e Relações Racias: apostando na participação da comunidade escolar.

SESC Sntana (23)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rankings

Segundo Cláudia e Jaqueline, a coleção Indicadores da Qualidade na Educação – Educação Infantil, Ensino Fundamental e Relações Raciais na Escola – podem ser aplicada de forma conjunta e simultânea, porém os resultados não devem produzir rankings e comparações entre as unidades escolares. “As avaliações de cada escola são subjetivas e dependem do grau de criticidade, da capacidade avaliativa, da compreensão dos processos vivenciados por cada escola”, alertou Cláudia.

Entre as contribuições dos Indicadores, a coordenadora apontou que seu uso responsabiliza diferentes segmentos da comunidade escolar pela qualidade da educação, colabora com a revisão e a atualização do Projeto Político Pedagógico e fortalece as demandas da escola e da rede de ensino perante o poder público.

 

Indicadores

No evento, Jaqueline e Cláudia explicaram também os objetivos e as dimensões dos Indicadores da Qualidade na Educação – Educação Infantil, Ensino Fundamental e Relações Raciais na Escola. A iniciativa se constitui como uma metodologia de autoavaliação escolar, apoiada por um conjunto de materiais e que reúne indicadores educacionais qualitativos capazes de mobilizar, a partir da discussão sobre qualidade educacional, a participação dos diferentes atores da escola – estudantes, professores(as), gestores(as), familiares, funcionários(as), representantes de organizações locais etc.

Com a coordenação e realização da ONG Ação Educativa, os materiais foram elaborados por um amplo grupo de organizações. E, de acordo com Cláudia, os Indicadores “estão comprometidos com o fortalecimento da gestão democrática das escolas e com as políticas educacionais e foram concebidos para que a comunidade escolar reunida avalie a realidade na qual está inserida, identifique prioridades, estabeleça planos de ação, monitore seus resultados e apresente reivindicações e propostas às políticas educacionais”.

 

Veja a apresentação utilizada na exposição sobre os Indicadores da Qualidade na Educação.

Faça o download da coleção dos Indicadores da Qualidade na Educação – Educação Infantil, Ensino Fundamental e Relações Raciais na Escola.

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