Escolas da zona leste de São Paulo debatem racismo e discriminação na educação

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Com uso da coleção “Educação e relações raciais: apostando na participação da comunidade escolar”, escolas irão realizar autoavaliação participativa na segunda quinzena de novembro

Duas escolas do bairro Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo, têm realizado formações quinzenais desde o início do ano com o objetivo de debater sobre estratégias de superação do racismo e outras formas de discriminação no ambiente escolar. Com a participação de 25 professores da EMEF Capistrano de Abreu e 25 professores da EMEF Armando Cridey Righetti, as atividades tratam, também, de formas de fortalecer a educação para as relações étnico-raciais e o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas políticas educacionais, no currículo e nas atividades pedagógicas.

“Mesmo aqueles professores que têm acúmulo sobre a temática vivenciam desafios para a realização do trabalho, pois um assunto tão polêmico exige comprometimento e envolvimento de todos os profissionais da unidade escolar”, apontou a assessora do programa Diversidade, Raça e Participação, da Ação Educativa, Jaqueline Lima. E alertou: “a ação de um profissional, quando não assumida coletivamente, pode ser desconstruída com um simples livro carregado de estereótipos e preconceitos levado para a sala de aula por um educador que o sucede, por exemplo”.

As formações são oferecidas pela Ação Educativa com base na coleção “Educação e relações raciais: apostando na participação da comunidade escolar”. A partir do trabalho com a coleção, os professores têm conseguido traçar o perfil da escola, construir mapa de acúmulos, materiais e histórico das instituições sobre a educação para as relações étnico-raciais, além de participar de encontros sobre questões trazidas pelo grupo de educadores, como a “intolerância religiosa e religiões de matriz africana”, “identidade, diferença e desigualdades” e as “Áfricas na sala de aula”. (Clique aqui e conheça a Coleção)

Estes educadores, segundo Jaqueline, “têm o papel de estender o trabalho para a sala de aula e mobilizar alunos e outros atores da comunidade escolar para um momento especial, a aplicação dos Indicadores da Qualidade na Educação: Relações Raciais na Escola”. Por meio da aplicação dos Indicadores em ambas as escolas na segunda quinzena de novembro, a proposta é que as unidades consigam refletir e articular as discussões conceituais com sua realidade, considerando sujeitos, estrutura, território e indicadores, além do resultado da autoavaliação participativa para construir um plano de ação articulado ao Projeto Político Pedagógico.

 

20151006_130635[1]12 anos de tentativas

Embora a lei que determina a necessidade do ensino de história e cultura africana e afro-brasileira (Lei Federal 10.639/03) tenha completado 12 anos, ainda há muitas dificuldades por parte dos docentes em ter um trabalho contínuo com a temática, onde a mesma saia do específico e ganhe espaço naquilo que é considerado universal dentro dos currículos e políticas educacionais.

“Nas duas escolas, os educadores conhecem a temática e já desenvolveram trabalhos sobre a mesma, mas os projetos ainda são muito tímidos se considerarmos os apontamentos das Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação para as Relações Étnico-raciais e Ensino de História e Cultura Africana e Afro-brasileira”, constata Jaqueline Lima. Para além de desafios que dizem respeito à efetivação pedagógica da lei, Jaqueline aponta que persistem dificuldades referentes às condições materiais, formação inicial e continuada e apoio institucional.

 

O uso da coleção

O uso da coleção “Educação e relações raciais: apostando na participação da comunidade escolar” nas duas unidades de ensino, nas duas escolas tem gerado debate sobre como o tema aparece na educação e os desafios, subsídios e acúmulos presentes em seus Projetos Político Pedagógicos.

Até o momento, já foi trabalhado o conjunto de cartazes “Afro-brasilidades em Imagens”, os dois DVDs e o guia metodológico. “O uso dos Indicadores possibilitará que as escolas façam um amplo debate sobre os principais desafios para o enraizamento da temática, trazendo dimensões que vão de relacionamentos e atitudes a questões estruturais, como currículo, proposta político-pedagógica e acesso, sucesso e permanência nas escolas”, explicou Jaqueline.

 

 

 

 

 Imagens: Maria Falcão

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