Estudo aponta distorção em método do Enem (Diário do Nordeste)

Matéria publicada no Diário do Nordeste no dia 13/02/2014. Confira aqui.

As metodologias do Ministério da Educação (MEC) para calcular as médias e definir os rankings estaduais do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) estão gerando resultados incorretos, conforme aponta um estudo realizado pela Secretaria de Educação (Seduc), em parceria com o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

Segundo a pesquisa, entre outros problemas, os dados divulgados pelo MEC comprometem a avaliação real do ensino público e desestimulam a participação dos estados no exame. O levantamento, realizado pelo professor de Economia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Daniel Lavor, e pelo secretário adjunto de Educação, Maurício Holanda, teve como base os microdados do Enem de 2011, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), e leva em consideração apenas os alunos de escolas públicas. De acordo com Daniel Lavor, a principal distorção dos dados ocorre a partir da comparação entre estados e escolas que possuem índices diferentes de participação de alunos. “Uma escola em que apenas os melhores alunos fazem o Enem vai ter uma média mais alta”, diz.

Avaliação baixa

O cálculo de médias estaduais desconsiderando o percentual de alunos, na visão dos pesquisadores, faz com que as redes públicas não se empenhem em incentivar a participação de todos os estudantes na prova para manter uma média nacional alta.

O levantamento sugere duas propostas de cálculo de desempenho para corrigir as distorções. “Nossa ideia é que se fale da média e da quantidade de estudantes que fizeram a prova”, resume Maurício Holanda. Atualmente, o MEC divulga a classificação das escolas em que pelo menos 50% dos alunos participou da prova. “Ainda assim, não tem como comparar essas escolas entre si”, reforça Daniel.

Contagem

Um dos métodos sugeridos na pesquisa consiste em multiplicar a média que o estado alcançou pelo índice de participação de alunos. “Esse cálculo se justifica porque inclui todos os estudantes na conta”, aponta o professor. Na contagem feita durante o estudo, utilizando o novo cálculo, o Ceará, que teve a sexta maior participação no exame, subiu 17 posições no ranking nacional de desempenho no Enem, indo do 24º para o 7º lugar.

O Espírito Santo, que possui o maior índice de participação, com 80% de alunos na prova, subiu do 11º para o 1º lugar na classificação, enquanto Santa Catarina, que ocupava o 2º na média nacional, caiu para a 20ª posição por ter apenas 39,6% de alunos fazendo a prova.

A outra equação sugerida no estudo contempla o nível de aprendizado dos alunos, analisando o porcentual que conseguiu atingir a nota mínima desejada no Enem. Para a secretária de Educação do Estado, Izolda Cela, a reavaliação dos resultados do exame deve contribuir para otimizar o ensino público.

De acordo com Maurício Holanda, o levantamento da Seduc já foi submetido à presidência do Inep e deve ser apresentado aos demais gestores de educação durante a reunião do Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed), que será realizado em março, no Amapá

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