Números do ensino médio melhoraram entre 2011 e 2013 na cidade do Rio, diz levantamento

RIO — O ensino médio da rede estadual na cidade do Rio de Janeiro está melhor. Dados do Rio Como Vamos, com base no Censo Escolar/Inep/MEC, mostram que houve, entre 2011 e 2013, uma importante redução nos indicadores de reprovação (de 25,5% para 18,4%), abandono (de 14% para 9,5%) e distorção entre idade do aluno e série que cursa (de 54% para 42%). Apesar da melhora, a distorção está um pouco acima da média estadual, que era de 39% em 2013. Esse bom desempenho se evidencia também pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mostra o Estado do Rio de Janeiro subindo da 15ª posição em 2011 para a quarta no ano passado, com a nota saindo de 3,2, para 3,6. A nota do Rio está acima da média do Ideb no Brasil, que é 3,4.

O resultado não é por acaso. Ao final de 2010, a Secretaria estadual de Educação elaborou um plano estratégico para melhorar a qualidade do ensino no Rio. Com base no decreto estadual número 42.793, foi estabelecido o Índice de Desenvolvimento da Educação do Rio de Janeiro (Iderj), que avalia anualmente o nível de proficiência da rede e a política de bonificação dos professores, entre outros itens. Pela primeira vez, foram estabelecidos metas e indicadores de acompanhamento.

MEDIDAS BUSCAM MAIS PROFISSIONALISMO

Uma das modificações implantadas pelo estado, o sistema de bonificação permite beneficiar anualmente, com até três vencimentos-base, os servidores das escolas que alcançarem as metas do Iderj. Dados do Relatório de Gestão e Políticas Públicas da Educação em 2014 revelam que, em 2012, apenas 20% das escolas da rede estadual de ensino médio localizadas no município receberam o bônus. No momento, a secretaria está recalculando as metas para as unidades estaduais.

Também foi instituído o processo seletivo interno obrigatório para funções e cargos estratégicos da área pedagógica. O objetivo, de acordo com a secretaria, é garantir mais profissionalismo na gestão. O órgão informou que recebeu 14.767 inscrições entre 2011 e 2012. Desse total, 1.967 candidatos foram designados para ocupar funções estratégicas. Em 2011, para cada quatro inscritos, um foi selecionado; em 2012, foi um a cada dois.

HORÁRIO INTEGRAL PARA TODOS

O secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, afirma que é necessário consolidar as políticas implementadas.

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— Queremos levar o ensino integral para todas as escolas — disse o secretário.

Em 2011, havia três escolas que ofereceriam o horário integral no Rio, contra 27 atualmente. A meta para 2015 é estender a política para mais 50 unidades, podendo chegar a cem. Em 2021, o plano é ter 100% da rede estadual com ensino integral.

Em 2013, existiam 250 escolas de ensino médio na rede pública estadual no município. Nesse número não estão incluídas escolas federais que oferecem ensino médio. Do total, 77% contam com biblioteca; 80% têm laboratório; 94% possuem quadras de esporte e 97% têm acesso à internet, o que aponta para uma boa infraestrutura.

AINDA FALTAM PROFESSORES

Landerson Jesus da Silva, de 18 anos, aluno do 3º ano do ensino médio do Colégio Estadual Herbert de Souza, no Rio Comprido, diz que sua escola conta com uma infraestrutura muito boa. No entanto, destacou que, nos dois primeiros anos do ensino médio, faltaram professores de física, química e filosofia.

— Tivemos rodízio de profissionais para suprir a demanda — contou Landerson.

De acordo com a Secretaria de Educação, a carência é de 158 professores no ensino básico.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), somando as matrículas das escolas estaduais e federais de ensino médio, o número total de alunos passou de 183.555 (2011) para 173.027 (2013), uma redução de 5,7%. De acordo com a secretaria, há uma justificativa demográfica para a queda nas matrículas. Em 2000, o Censo do IBGE mostrava que existiam 287.837 jovens na faixa etária de 15 a 17 anos no município, contra 278.092 em 2010.

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MOVIMENTO MONITORA DEZ ÁREAS

O Rio Como Vamos (RCV) avalia a qualidade de vida do carioca em dez áreas: saúde; transportes; educação; segurança pública; pobreza e desigualdade social; meio ambiente; lazer e esporte; saneamento básico; inclusão digital; e trabalho, emprego e renda. Os dados são divulgados pelo GLOBO e no site do movimento.

Para realizar esse trabalho, o RCV conta com o apoio das seguintes instituições: Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Fecomércio, Associação Comercial, Observatório de Favelas, CDI, Cedaps, Idac, Ethos, Light, Instituto do Trabalho e Sociedade, Santander, Grupo Libra, Fundação Avina, Metrô Rio, UTE Norte Fluminense, KPMG, OnBus Digital, Instituto Invepar, The Climate Works e Vale.

 

Matéria publicada no site O Globo, no dia 13 de outubro de 2014

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